|Conte Um Conto| 2013/2014

2013/2014

Enquanto eu escrevo isso, os fogos queimam do lado de fora da minha janela. É isso. 2013 acabou, já estamos em 2014.
Incrível como o tempo passa voando.
365 dias atrás, eu estava ansiosa pelo meu primeiro dia de aula no terceiro ano do ensino médio. Agora, eu espero pela faculdade…
2013 foi um ano difícil. Muitas coisas boas aconteceram, mas muitas outras ruins também. E 2013 acabou, tudo agora é passado.
Ou será que não? Será que alguma coisa vai continuar esse ano?
Os fogos finalmente pararam. Já é hora de dormir… Que venha 2014.

Por: C.A.Cunha

© C.A.Cunha – Cantinho da Cah

É proibida a reprodução total ou parcial do texto acima sem contato prévio com a autora e devida creditação.

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Conte Um Conto ~ Feliz Aniversário?

Feliz Aniversário?

Chegou em casa triste. Ela e as amigas esperavam por aquele dia há anos. E ninguém havia dito nada. Ninguém havia se lembrado… Uma lágrima escorreu por seu rosto. Nem mesmo Marcelo, seu namorado, havia se lembrado.

Subiu para o quarto e, ao abrir a porta, notou um envelope em cima de sua cama. Nele, apenas seu nome, nada que pudesse mostrar quem havia deixado-o ali. Abriu-o. Um CD caiu em sua cama, enquanto um papel flutuava por seu quarto. Era uma foto. A foto que Marcelo havia tirado durante a viagem que fizeram no último verão. A foto que ela mais gostava.

– Mistério resolvido – sussurrou para si mesma.

Pegou o CD e colocou-o no computador. Um aviso surgiu, informando que o conteúdo do CD era um vídeo. Clicou sobre o botão que permitia a execução do arquivo. A imagem de seu namorado apareceu na tela, mas ele não estava sozinho.

Alguns amigos da garota estavam na tela, também. Ela reconhecia o local como o apartamento dele. No canto direito da tela, os números vermelhos indicavam 15h43, logo após o fim das aulas.

Pegou sua bolsa e saiu de casa. Daniel não morava tão longe. Chegou ao prédio dele e o porteiro liberou sua entrada. Encaminhou-se ao quarto e último andar. A porta estava apenas encostada. Podia ouvir uma suave melodia vinda de dentro do apartamento. Entrou.

Marcelo estava sentado no sofá da sala, dedilhando no violão que ela havia dado de presente a ele de aniversário três anos antes. Antes que a garota pudesse dizer qualquer coisa, ele começou a cantar. A música deles. A música que havia tocado na festa na qual se beijaram pela primeira vez, cinco anos antes.

A lágrima que escorreu pelo rosto da menina era de felicidade. Aos poucos, os amigos iam entrando no local, abraçando a menina, desejando-a felicidades, entregando seus presentes.

Quando a música acabou, todos aplaudiram. Marcelo se levantou e beijou a menina. Ela sorria.

– Feliz 18 anos, amor – sussurrou o garoto, entregando um envelope a ela.

Abriu-o. A princípio, viu somente uma folha em branco, mas ao olhar com mais cuidado, achou o que parecia ser um ingresso. Pegou-o, com curiosidade e quase perdeu o fôlego. Era o ingresso do show que mais queria ir. Aquele que havia se esgotado na manhã em que as vendas abriram. Aquele que era impossível de se achar.

– Pista Premium – falou, olhando para o namorado.

– Eu e você. E acesso aos bastidores.

Ela abraçou-o forte, chorando em seu ombro. Tinha o melhor namorado do mundo. Tinha os melhores amigos do mundo.

Aquele era o melhor aniversário de sua vida…

Por: C.A.Cunha

© C.A.Cunha – Cantinho da Cah

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|Conte Um Conto| Memórias Infinitas

Memórias Infinitas:

Era uma segunda-feira, 26 de janeiro. Sempre começavam as aulas dia 26… Tudo era tão diferente, e ao mesmo tempo tão igual! Lembrava-se daquele 16 de dezembro como se tivesse acontecido há dias, não há catorze anos.

As mãos suadas, o coração disparado, a respiração ofegante… Lembrava-se perfeitamente da diretora no palco, poucos segundos antes do assistente sussurrar que ela tinha dois minutos. Dois minutos que pareceram uma eternidade naquele dia. E, quando finalmente chegou a hora, toda a ansiedade foi embora, e o discurso que havia ensaiado durante meses, veio rapidamente a sua mente.

Não fazia sentido que, catorze anos depois, aquelas memórias voltassem tão facilmente. Um puxão na barra da calça tirou-a do transe.

– Mamãe! Vamos!

A criança de apenas três ano apressava-a. “Igualzinho ao pai…”, pensou pegando a criança no colo.

Desceram pela familiar escadaria. Aquela em que sua amiga havia escorregado e rasgado a barra do vestido. A mesma escadaria na qual o havia beijado pela primeira vez, catorze anos antes, quando tinha chegado do intercâmbio…

Conforme se aproximavam das salas, mais memórias pipocavam em sua cabeça, incluindo um trecho de seu discurso.

“É claro que o tempo passa, mas certas coisas são difíceis de esquecer. Sei que parece bobo, mas vocês devem se lembrar do filme. Uma das músicas dizia: ‘Memories that last forever’, memórias que ficarão para sempre. E acho que são com essas memórias que, hoje, nos despedimos daqui.”

Ela colocou o filho no chão e deu um beijo em sua testa. Ele correu para a classe com um sorriso estampado no rosto. Uma lágrima brotou em seus olhos, lembrando-se do momento em que passou por aquelas portas pela última vez.

Por: C.A.Cunha

© C.A.Cunha – Cantinho da Cah

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